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O AMOR `E UMA COISA...A VIDA `E OUTRA.

por sopa-de-letras, em 24.10.13

MEC...TU `ES O MAIOR !

 

Elogio ao Amor, por Miguel Esteves Cardoso
 

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.... Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido... Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

 

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publicado às 20:24


COISAS DA NATUREZA

por sopa-de-letras, em 30.08.13

AMAR ATE MORRER

ONTEM AO FIM DO DIA, NAO ESTAVAM AQUI...

 

 

 

 

 

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publicado às 07:24


CHAMAR AS COISAS PELOS NOMES

por sopa-de-letras, em 12.05.13

Perfeitinha ---------------- ► A força do Amor.____________Ama os animais ??? Vem pra cá, É o bicho ;3

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publicado às 19:21


MEC

por sopa-de-letras, em 11.05.13

No Amor Somos Todos MeninosNo amor, somos todos meninos. Meninas, pequenos, pequeninos. Sentimo-nos coisas poucas perante a glória descarada de quem amamos. Quem ama não passa de um recém-nascido, que recém-nasce todos os dias. Hoje não é diferente. Hoje é o dia, no ano de 2000, em que tive a sorte de me casar com a Maria João, cega, linda e enganada nesse momento como até agora, graças a um Deus que privilegia os que não merecem. Os casamentos estão para os números e para a sorte como as rifas e as lotarias. Havendo amor, passa-se a semana a pensar que se vai ganhar e depois há um dia em que se perde - quando há discussões - seguido de mais uma semana com uma nova esperança. O amor está lá sempre, quer se ganhe ou se perca. O amor corresponde ao jogo em si. Há jogos sucessivos com resultados diferentes, mas o jogo é sempre o mesmo. Aos jogadores apenas se pede o impossível, facilmente concedido: acreditar que podem ganhar. Estamos casados há 11 anos. Passaram num instante. Pareceram mais do que 11 dias, mas menos, muito menos do que 11 meses. Dizem que os números não querem dizer nada. Mas querem. Nós é que nem sempre queremos que eles nos digam o que querem dizer. A Maria João e eu somos o número 11. Cada um, para ser 11, é inseparável. Sozinho eu era só um. Meramente somados, não seríamos mais do que dois. Onze somos nós, um ao lado do outro, um número único, que tem uma tabuada reconfortantemente previsível, geminada e ecóica. Ama-nos sempre, Maria João!
Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (30 Set 2011)'

 

Miguel Esteves CardosoMiguel Esteves CardosoPortugal n. 1955Crítico/Escritor/Jornalista

 

http://en.wikipedia.org/wiki/Miguel_Esteves_Cardoso

 

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publicado às 23:43


...

por sopa-de-letras, em 14.04.13
PABLO NERUDA POEMAS DA ALMA

É bom, amor, sentir-te perto de mim

É bom, amor, sentir-te perto de mim na noite,  

invisível em teu sonho, seriamente noturna,  

enquanto eu desenrolo minhas preocupações  

 como se fossem redes confundidas.

  Ausente, pelos sonhos teu coração navega, ... 

mas teu corpo assim abandonado

 respira buscando-me sem ver-me,

completando meu sonho  

como uma planta que se duplica na sombra.

  Erguida, serás outra que viverá amanhã,  

mas das fronteiras perdidas na noite,  

deste ser e não ser em que nos encontramos

  algo fica acercando-nos na luz da vida  

como se o selo da sombra assinalasse  

 com fogo suas secretas criaturas.

 

PABLO NERUDA

 

 

É bom, amor, sentir-te perto de mimÉ bom, amor, sentir-te perto de mim na noite, invisível em teu sonho, seriamente noturna, enquanto eu desenrolo minhas preocupações como se fossem redes confundidas. Ausente, pelos sonhos teu coração navega, mas teu corpo assim abandonado respira buscando-me sem ver-me, completando meu sonho como uma planta que se duplica na sombra. Erguida, serás outra que viverá amanhã, mas das fronteiras perdidas na noite, deste ser e não ser em que nos encontramos algo fica acercando-nos na luz da vida como se o selo da sombra assinalasse com fogo suas secretas criaturas.PABLO NERUDA

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publicado às 18:53


DOCE QUIMERA

por sopa-de-letras, em 25.03.13

 

 

Anestesia das minhas dores

Alma inquieta como a minha

Quero seguir por onde fores

Ser sempre a tua "florzinha"

 

Leva-me pela tua mao

Mostra-me o que ha para la do horizonte

Nao deixes que tropece

Protege-me das minhas tempestades interiores

 

Se o amor que tens por mim

For igual ao que eu sinto

Um dia havemos enfim

De sair do labirinto

 

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publicado às 03:13