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QUARENTENA PARA TODOS

por sopa-de-letras, em 04.04.20
A nossa espargueira também está de quarentena.
Não tenho a certeza se este é o nome correcto desta planta.
Quando era miúda, tínhamos uma no corredor de nossa casa. Era o orgulho da minha mãe. O meu pai fez-lhe uma armação de canas e ela cresceu, trepou pelas canas e mesmo com o vaso no chão enchia todo o canto do corredor.
Sempre ouvi a minha mãe chamar-lhe espargueira.
Quase uma vida depois, e a muitas milhas deste cenário, andando ás compras, deparo-me com esta. Entre vários vasos de outras plantas, lá estava ela, pequena, frágil, a sorrir para mim. Nem hesitei, sorri para ela e fiz-lhe saber : és minha !
Voltamos para casa as duas, nessa altura no Surrey, num lugar maravilhoso chamado Tall Trees. Escolhemos o melhor canto da casa, onde pudesse apanhar luz sem muito sol directo e ali se fixou.
Como todos os grandes amores, o nosso não foi pacífico. Ela teimava em se entrelaçar na cortina de renda, os novos rebentos entravam pelos buraquinhos e cresciam assim, a entrar por uns e a sair por outros. Ora eu tal não podia permitir, senão como podia lavar a cortina quando precisasse ?!
Lá fomos limando arestas e viviamos felizes, até que uma reviravolta na vida, nos obrigou a mudar de casa.
Ao contrário da palmeira que era muito mais velha do que ela e já tinha sofrido duas mudanças de casa, não resistindo a mais uma mudança, ainda por cima, de cavalo para burro, a espargueira gostou do seu novo habitat e teimosa como só ela, lá começou outra vez a agarrar-se ao cortinado.
Foi assim que o coronavirus nos apanhou. Como decidi vir fazer quarentena para outro lado lá viemos as duas atreladas ao Jorge 😃.
Chegamos ontem. Pareciamos os saltimbancos, o nosso carro vinha atestado...roupas, comida, tralhas, e ....adivinhem quem....A senhora espargueira !
Achamos que este era o melhor cantinho para ela, mas já estou a adivinhar a guerra que vai ser...eu vou querer que ela cresca para a direita e se espalhe por cima do armário, e ela vai querer ir para a esquerda ao encontro da luz e para se agarrar à cortina.

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publicado às 14:00


QUARENTENA PARA TODOS

por sopa-de-letras, em 04.04.20
A nossa espargueira também está de quarentena.
Não tenho a certeza se este é o nome correcto desta planta.
Quando era miúda, tínhamos uma no corredor de nossa casa. Era o orgulho da minha mãe. O meu pai fez-lhe uma armação de canas e ela cresceu, trepou pelas canas e mesmo com o vaso no chão enchia todo o canto do corredor.
Sempre ouvi a minha mãe chamar-lhe espargueira.
Quase uma vida depois, e a muitas milhas deste cenário, andando ás compras, deparo-me com esta. Entre vários vasos de outras plantas, lá estava ela, pequena, frágil, a sorrir para mim. Nem hesitei, sorri para ela e fiz-lhe saber : és minha !
Voltamos para casa as duas, nessa altura no Surrey, num lugar maravilhoso chamado Tall Trees. Escolhemos o melhor canto da casa, onde pudesse apanhar luz sem muito sol directo e ali se fixou.
Como todos os grandes amores, o nosso não foi pacífico. Ela teimava em se entrelaçar na cortina de renda, os novos rebentos entravam pelos buraquinhos e cresciam assim, a entrar por uns e a sair por outros. Ora eu tal não podia permitir, senão como podia lavar a cortina quando precisasse ?!
Lá fomos limando arestas e viviamos felizes, até que uma reviravolta na vida, nos obrigou a mudar de casa.
Ao contrário da palmeira que era muito mais velha do que ela e já tinha sofrido duas mudanças de casa, não resistindo a mais uma mudança, ainda por cima, de cavalo para burro, a espargueira gostou do seu novo habitat e teimosa como só ela, lá começou outra vez a agarrar-se ao cortinado.
Foi assim que o coronavirus nos apanhou. Como decidi vir fazer quarentena para outro lado lá viemos as duas atreladas ao Jorge 😃.
Chegamos ontem. Pareciamos os saltimbancos, o nosso carro vinha atestado...roupas, comida, tralhas, e ....adivinhem quem....A senhora espargueira !
Achamos que este era o melhor cantinho para ela, mas já estou a adivinhar a guerra que vai ser...eu vou querer que ela cresca para a direita e se espalhe por cima do armário, e ela vai querer ir para a esquerda ao encontro da luz e para se agarrar à cortina.

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publicado às 11:56


CARTA ABERTA A GRETA THUNBERG

por sopa-de-letras, em 20.03.20

Minha querida



Greta Ernman Thunberg



quero dizer-te que já podes reformar-te.



Não sei se já sabes, já não vale a pena fazer greve das escolas pelo clima, simplesmente porque as escolas estão fechadas.



Chegou ao planeta alguém muito mais ambicioso e eficaz do que tu.



Chama-se CORONAVIRUS e, subtilmente conseguiu, em meia dúzia de dias, aquilo que tu, com tantas horas de palavreado e de viagens anti-poluição, não conseguiste... Parou o planeta !



Chegou silencioso, sem manifestações, sem algazarras, e está a dar ao ser humano , a maior lição de moral jamais observada.



Repara que em meia dúzia de dias, conseguiu pôr transparentes as águas de Veneza. Quem diria?!



Quem sabe se o Polo Norte ainda volta a ser o que era dantes ? Quem sabe se as águas dos rios voltam a correr para o mar límpidas e transparentes ?! Quem sabe se ainda conseguem salvar-se as espécies em vias de extinção?! Quem sabe se as florestas ainda voltam a ser os pulmões tão necessários à vida ?! Quem sabe...quem sabe....



quem sabe ?!



É implacável, é certo. Mata rápidamente. Talvez queira impor -se pelo medo, já que não existe outra forma das cabeças duras que povoam o globo, entenderem que é preciso cuidar do mesmo, e deixá-lo ás gerações vindoiras, tal como o encontramos.



É implacável e não é interesseiro...ricos ou pobres, de status elevado ou de baixo status..." lhe dá igual " .



Parece ser vingador, na grande maioria, mata os mais velhos, como se quisesse castigá-los por não terem sabido tomar conta do legado que lhes foi deixado , nem tão pouco passar aos mais novos uma mensagem correcta e firme.



Pois é, minha querida Greta, espero que não te sintas minimizada, pois aparentemente, os teus objectivos estão a ser atingidos.



Espero que estejas de quarentena...nada de manifestações, porque não pode haver ajuntamentos.



Lamento que tenhas sido destronada de " personalidade do ano de 2019 ". Esta coisa chegou exactamente no final do ano passado e é capaz de vir a ganhar o prémio de personalidade do século.



Não te esqueças...estás em casa mas não estás de férias, continua a estudar que ainda hás-de vir a ser alguém.



Até sempre



Maria

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publicado às 08:58


COMO TUDO PODERIA SER DIFERENTE

por sopa-de-letras, em 19.03.20

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publicado às 21:39


...

por sopa-de-letras, em 13.11.19

Cansada...

Estou tão cansada de desilusões.

De dores que sinto que não mereço.

Cansada de incompreensão.

Estou tão cansada !!!

Exausta.

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publicado às 18:57


PERDER PESO

por sopa-de-letras, em 07.08.19

A partir de hoje vou começar a perder peso.

Não tanto pela estética, mas mais pela saude e pela desenvoltura.

Não ha-de ser mais difícil do que parar de fumar. Se consegui uma coisa tambem hei-de conseguir a outra.

Em 10.02.2014 escrevi este post ......https://seisanosdepois.blogs.sapo.pt/socorro-estou-a-deixar-de-fumar-186705 ....até hoje nunca mais fumei, apesar das situações difíceis e stressantes que vivi depois disso.

Hoje de manhã pesava 101 Kg.

Basta !!!

 

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publicado às 08:57


...

por sopa-de-letras, em 02.10.18

Porque partiste deixando-me para tras???

Porque nao pude eu segurar a tua vida em minhas maos quando ela nos abandonava???

Porque fiquei???

Porque?

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publicado às 08:52


SWEET & ROMANTIC SURREY

por sopa-de-letras, em 27.07.18

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https://goo.gl/maps/ZigRrnycVxw

 

Uma década da minha vida e muito mais, fica no Surrey.

Vou partir para o condado aqui ao lado, Middlesex, mas não é a mesma coisa.

Não conheço os 47 condados de Inglaterra, mas daqueles onde já estive, o Surrey é, sem dúvida, o que mais me agrada para viver. É a província colada á capital. Começa logo ali, do lado de fora da M25 e tem características únicas.

Dentro do meu coração, o Surrey está para Inglaterra como o Alentejo está para Portugal.

Nao é em vão que costumo chamar a este lugar onde ainda vivo, o meu monte.

Dizem que, na vida, nada acontece por acaso, e eu acredito. Talvez o facto de viver neste lugar, tenha sido a única forma de eu poder suportar todas as mudanças bruscas e violentas que se deram na minha vida nos ultimos treze anos. Agora que o mar serenou, (digo eu que nada sei, e até disso duvido), a brisa leva-me para outro lugar.

Apenas uma curiosidade: Foi no Surrey que descobri que existem periquitos no Reino Unido, coisa que me surpreendeu bastante.

Uma bela manhã acordei com um chilrear diferente do habitual, uma gritaria, fui ver o que se passava e vi que a minha macieira tinha mais periquitos verdes do que maçãs maduras.

Então fui investigar e descobri que existe uma colónia de mais de 30.000.

Os indígenas nao gostam deles, porque lhes alteram a fauna e a flora, mas eu acho-os lindos.

https://www.telegraph.co.uk/news/earth/wildlife/11418593/Ring-tailed-parakeets-are-flying-beyond-our-control.html

 

http://devoralondres.blogs.sapo.pt/66233.html

 

https://seisanosdepois.blogs.sapo.pt/adaptacao-219219

 

 

 

PS: Quem sabe um dia a vida, simpática e bem disposta, decide trazer-me de volta para o Surrey, ou para o Alentejo em Portugal, ou para o Sertão no Brasil...

 

 

 

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publicado às 05:39


O MAR ESSE DESCONHECIDO

por sopa-de-letras, em 21.07.18

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Nao sabia que o mar  existia.

Nunca lhe sentira o cheiro.

Nunca o vira desmaiar, mansamente, na areia.

O sol...esse sim. Eram amigos.

Todas as manhas ele surgia risonho na linha do horizonte.

No final de cada dia, ia atras do monte, junto ao muro do curral onde o gado se acoitava, para se despedir do sol.

Ali ficava parada, observando aquela roupagem avermelhada que ele sempre punha antes de partir.

Dizia baixinho : Adeus sol, volta amanha por favor. Logo a seguir ele escondia-se, ao longe, por detras da Igreja da Se, la na cidade.

O seu mar era a seara. Por vezes a seara ondulava, tal e qual como o mar que ela nao conhecia. Em vez do ar fresco da maresia ela sentia entao uma onda de ar quente, quase sufocante.

A seara nao dava peixe como o mar, mas transformava-se em pao. O tal pao que deveria pesar um kilo, mas nao pesava.

Quantas vezes ela vira as freguesas olharem desconfiadas para a balanca. Entao ela fazia como a mae lhe ensinara...encostava um pao, do dia anterior, ao corpo que dancava dentro da bata branca da mae a dar-lhe pelos tornozelos, e cortava um naco, a olho, para completar o kilo de pao.

`As vezes, mesmo com o contrapeso ainda nao chegava ao peso obrigatorio. As freguesas nao perdoavam, sem se sensibilizarem com as suas maos pequeninas agarrando a faca grande e o pao duro, e la lhe atiravam: Tao pequena e ja sabes roubar. Os tempos eram dificeis, e quaisquer dez gramas de pao eram importantes, por isso ninguem queria saber, se tinha sido por dificuldade que o naco saira pequeno.

O pao que a mae vendia na padaria, menos quando estava a tratar do mano que era recem nascido. Nessas alturas era ela que vestia a bata e vendia.

O tal pao que devia pesar um kilo mas nunca pesava, vinha da seara, e a seara era o mar.

Por volta dos seus nove anos conheceu-o. Foi amor `a primeira vista. Ficou embevecida a admira-lo.

Por mais que tentasse imagina-lo, jamais sonharia que ele impusesse tal grandeza.

O mar era imenso !

 

Pedacinhos de infancia

Maria V. Letras

 

 

 

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publicado às 22:58


OS MEUS LILIS CHEGARAM ANTES DA HORA DA PARTIDA

por sopa-de-letras, em 19.07.18

A vida é feita de mudanças.

Mudamos de crianças para adolescentes, de seguida mudamos para adultos; mudamos de penteado, mudamos de modo de vestir, mudamos de estilo, mudamos de país, de cidade, ou de casa; mudamos de escola ou de emprego; mudamos nos corações das pessoas, deixamos de brilhar em alguns e passamos a ser aconchegados noutros; mudamos de pensamentos e até de sentimentos. Tudo muda.

A mim todas as mudanças me afligem, sobretudo as mudanças de pessoas ou de lugares, simplesmente porque sei que vou deixar para trás pedaços de mim. Cheguei ao mundo inacabada, mas completa, mas tenho a sensação que chegarão á morte, apenas alguns pedaços de mim, porque parte deles já ficou pelos caminhos.

Quando chego, de armas e bagagens, lanço a ancora e prendo-me como se fosse ficar para o resto dos meus dias. De repente desaba uma tempestade e lá vou eu.

Não me lamento, cada qual tem a sua sina, e a minha é assim.

Apenas me parece um pouco estranho, porque tendo nascido em plena planície, e tendo raízes profundas naquela terra abençoada, nao sei porque carga de água tenho que andar sempre com a casa ás costas, e tão longe daquele raro ar, puro e quente, que no verão me arde nas narinas.

Habituei-me a plantar flores e árvores quando chego, e vou deixando flores e árvores por onde vou passando.

Desta vez parto levando no peito uma amalgama de sentimentos. Nesta casa aconteceram-me, ao longo de nove anos, coisas muito boas e coisas terríveis. Chegamos a ser seis pessoas a viver aqui, e cheguei ao ponto de ficar completamente só dentro duma casa enorme, sendo que três dessas pessoas já partiram.

Aqui, dentro destas paredes, fui de um extremo ao outro de quanto é possível um ser humano viver de bom e de mau.

Vou partir...não porque quero, mas porque tem que ser.

Este verão, pela primeira vez, as parreiras vão dar uvas. A minha figueira está carregada de figos, O loureiro está enorme.

Saio no fim do mês, não vou ver nada maduro.

 

Apenas os lilis não quiseram que partisse sem me dizerem adeus.

 

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publicado às 21:17

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