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PERDER UM FILHO

por sopa-de-letras, em 07.07.17

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Quando a fatalidade bate á nossa porta e nos leva um filho...

Colapsamos !!!

`E assim como o estilhaçar de um cristal perante a vibração da má sorte.

Nós sentimos que, por muito que tenhamos errado na vida, não merecemos aquilo.

Ninguem merece uma coisa assim.

Ninguem merece a desgraça de sobreviver a um filho.

Chegamos a sentir que não temos o direito de estar vivos.

De tanto sofrer, a gente deixa até de sentir. Contraditório? Olhe que não.

Somente quem já perdeu um filho sabe do que falo.

Tudo dentro de nós se desintegra.

Recusamo-nos , terminantemente, a aceitar que aquilo não é um pesadelo, e a unica coisa que queremos `e acordar dele.

Não queremos viver...não queremos nada....apenas acordar do pesadelo.

O tempo vai passando, e de vez em quando, olhamos para fora de nós, e surpreendemo-nos com o, normal, andamento do mundo.

Como `e possivel que o mundo continue a girar, alheio `a nossa

catástrofe ?!...pensamos.

Pouco a pouco, vamos percebendo que não `e um sonho mau, um pesadelo, e lentamente, vamo-nos adaptando `a nossa nova realidade.

A nossa vida nunca mais volta a ser como era antes.

Aprendemos a viver com aquilo dentro de nós.

Pensar que nunca mais voltamos a ver a nossa " criança " não ajuda nada.

`E preciso refazer toda uma forma de pensar e de sentir.

Em vez de chorarmos de sofrimento porque perdemos,

devemos deixar entrar a paz e a gratidão , porque um dia tivemos a felicidade de ter aquele ser em nossa vida.

Varia de pessoa para pessoa o tempo de reabilitação .

Cada um tem o seu tempo.

Admiro, sinceramente, as mães e os pais que sobrevivem aos filhos.

Sei, por experiência própria, quanta coragem `e necessaria. Conheco bem o percurso.

Completam-se hoje dez anos após a partida da minha filha, e eu morro de saudade daquela gargalhada cristalina que ainda ecoa, e sempre ira ecoar, dentro de mim.

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publicado às 12:14


A VIDA E A CIENCIA

por sopa-de-letras, em 29.10.16

Enquanto nao somos atingidos pela doenca, nem nos apercebemos do quao importante `e a vida saudavel.

Mas quando a doenca nos atinge, esperamos que os medicos sejam deuses.

Essa expectativa de que nos venha da medicina o milagre que, muitas vezes, so o ceu nos pode dar, transforma-se em frustracao, raiva e desalento, quando percebemos a realidade.

Ao ler esta entrevista ao Prof. Joao Lobo Antunes, agravam-se as minhas suspeitas...quando o caso `e serio, a ciencia nao vale nada!

Tive, recentemente, a confirmacao disso.

Saliento da entrevista, a referencia do Prof. aos medicamentos para " tratar " os doentes mentais. Infelizmente, tambem tenho experiencia nessa area. E o meu ponto de vista `e o seguinte:

Esse tipo de medicamentos nao trata coisa nenhuma...apenas torna mais facil a vida das pessoas que teem que conviver diariamente com os doentes. Digamos que o tratamento beneficia as outras pessoas e nao o proprio doente, que vai sendo atingido pelos efeitos secundarios.

E `e claro que engorda as farmaceuticas.

Sobre este tema, vou deixar aqui registado um facto:

Em 2010 trouxe para viver comigo, aqui no Reino Unido, um familiar meu que vivia em Portugal e que era medicado para o sistema nervoso ha mais de vinte anos. Veio o meu familiar e mais um saco grande cheio de caixas de comprimidos, pois diariamente tomava mais de vinte.

Quando apresentei aqui ao medico toda a medicacao, a fim de que fosse feita a ficha e pudesse comecar a levantar as receitas todos os meses, o medico nem queria acreditar. Logo na primeira visita reduziu para metade. Havia varios comprimidos de nomes diferentes mas que tratavam a mesma coisa.

Desta situacao fiz duas leituras...o medico de familia nao estava para se chatear e cada vez que o doente se queixava passava mais um, em vez de substituir...ou entao tinha comparticipacao em alguma farmaceutica.

E agora so um aparte...

Junto com este familiar veio outro, que andou durante anos a tomar um comprimido diario para doentes com cancro da prostata, sem que tal doenca tivesse. Estes comprimidos eram levantados gratuitamente no hospital de Evora, com a receita do medico.

Quando aqui chegou, o medico perguntou-me: - Ele tem cancro?

Eu respondi que nao, mas o medico quis ter a certeza e mandou fazer exames, quando veio o resultado, ele disse:

- nao toma mais estes comprimidos , porque sao para doentes com cancer e ele nao tem.

 

Porque tive que conviver durante muitos anos com esta realidade, a minha aversao a medicamentos `e de tal ordem que nunca na minha vida tomei um calmante ou qualquer tipo de comprimido para abrandar as minhas magoas , ou para me adormecer, em tempos de insonia. E olha que ja passei por momentos muito dificeis...

Porque hei-de tomar uma droga para subir a tensao, se posso resolver o problema tomando um cafe ou um licor?!

Porque hei-de tomar uma droga para baixar a tensao, se posso retirar todo o sal da comida?!

Porque hei-de tomar comprimidos para me acalmar, se posso usar a cabeca e olhar com olhos de ver, o mundo que me rodeia, e fixar-me num qualquer ponto que despertou a minha atencao?! Pelo menos, por momentos o factor que me pos fora de mim, perde importancia. Esta accao repetida quantas vezes for preciso diluira o meu problema.

Porque tomar comprimidos para dormir??? Ha tanta coisa que se pode fazer para estimular o sono.

Enfim...

Como `e evidente, este `e apenas o meu ponto de vista, mas para mim `e lei.

Aqui fica a entrevista ao Prof.

 

O "segredo" que o cérebro guarda. A doença maligna cerebral que parece invencível. A infelicidade. As diferenças matemáticas entre macho e fêmea. A esperança da restauração de funções num doente paraplégico que poderá estar escondida num sistema nervoso inacabado. A loucura.

As mãos costumam segurar alternadamente a ponta de um bisturi ou o bico de uma caneta. Sempre vigiadas por uns exigentes olhos azuis. João Lobo Antunes já editou dois livros de ensaios e é neurocirurgião.

A prática de uma investigação realizada ao longo de 13 anos no Estados Unidos mergulhou num sono profundo quando regressou a Portugal. Mas o investigador persiste em estar acordado. Sem hesitação, considera que o grande desafio das neurociências "é o cérebro". Um território misterioso que esconderá o segredo de sermos únicos entre os outros animais. E nas profundezas do cérebro vive também o campo fascinante da "regeneração nervosa" que poderá solucionar a "grande tragédia do sistema nervoso" – a recuperação de uma função.

E se perante as eventuais diferenças entre o homem e a mulher comemora: "Vive la différence!", o desalento torna-se óbvio com o "pouco progresso" no combate à doença maligna cerebral. Com a poesia a desafiar, o clínico diz que, actualmente, "a grande doença do espírito é a infelicidade", ou seja, a depressão. E quanto às técnicas terapêuticas, confirma o abandono da psicocirurgia, considera a eficácia dos electrochoques e alerta para os efeitos secundários de fármacos no tratamento de doenças psiquiátricas. Pelo meio, a irresistível tentação de uma frase que deve ser escrita: "Sabe que há tantas células nervosas como há estrelas no céu?".

Encarou o convite da Sociedade Porto 2001 para participar na conferência da acção "Os Outros em Eu", em parceria com o ciclo "O Futuro do Futuro", como uma provocação. O tema foi a loucura. 

PÚBLICO: A psicocirurgia desapareceu?
João Lobo Antunes: No princípio dos anos 1950 apareceram as primeiras drogas e a psicocirurgia desapareceu praticamente. Hoje faz-se muito pouco. Nós, nos últimos 15 anos, fizemos uma. Existem outras técnicas, não de destruição, mas, por exemplo, de neuroestimulação, ou seja, estimular com eléctrodos estruturas profundas do cérebro. E os electrochoques?

Os electrochoques foram uma coisa muito contestada; nos anos 60, naqueles movimentos da libertação da personalidade e autonomia, na sequência da contestação do poder de tudo o que era domínio. É que o o electrochoque, no fundo, fazia o indivíduo perder temporariamente o controlo sobre si. Aliás, o electrochoque chegou a ser banido pelo próprio estado da Califórnia, o que é uma coisa extraordinária. Na realidade, diga-se o que se disser, é uma técnica terapêutica eficaz e, muitas vezes, até é a única. Todas aquelas grandes terapias heróicas, como o choque insulínico, o choque do cardiosol, não foram puras invenções.

Actualmente, a terapêutica das doenças mentais faz-se através de produtos químicos...
Mas, repare que, ao contrário do que muitas pessoas dizem, muitos fármacos têm efeitos secundários que reduzem os doentes quase ao estado que uma lobotomia fazia. Medicamentos como os neurolépticos e outros dessa natureza. O uso de fármacos no tratamento das doenças psiquiátricas é uma realidade e alguns deles têm efeitos secundários que ficam. Essas drogas que mexem com a química, com os neurotransmissores, etc, estão lá a mexer em coisas. Não é propriamente uma panaceia.

Actualmente, qual é o "mal" da mente que mais afecta as pessoas?
Creio que a grande doença do espírito é a infelicidade. Quer dizer, infelizes sempre houve... Falo da depressão. Há cerca de 40 anos a depressão aparecia por volta dos 35 anos, actualmente é aos 28. O que significa que há factores sociais, culturais, entre outros, que fazem com que as pessoas se sintam deprimidas. Uma vida de competição diferente, algum esgaçar de laços familiares... O problema para um clínico é distinguir o que é que são factores psicológicos da doença e o que são factores orgânicos. Como é que eles se misturam, qual é a fórmula.

As imagens do cérebro que temos hoje, apesar de fascinantes, ainda não são suficientes para percebermos como ele funciona...
Sabe que há tantas células nervosas como há estrelas no céu? A imagem é ainda muito redutora e o cérebro é um mistério. Mas acho que o mistério é indispensável.

Qual é hoje o desafio das neurociências?
O desafio é o cérebro. Conhecer mais o cérebro. Porque estas novas técnicas de visualização em que se ilumina como uma árvore de Natal, uma luz aqui, outra luz ali, que começam a piscar quando se fazem determinadas tarefas, não nos diz tudo. De forma nenhuma. São aproximações.

E os genes, o genoma?
O problema fundamental do desafio do genoma é saber o que se fará com a informação. Quando se puder partir dessa informação para outra. Por exemplo, nós sabemos que partilhamos com o chimpanzé 97,5% dos genes. Mas temos de perceber quais são os genes que nos tornam unicamente humanos. É, de facto, uma coisa muito interessante.

E o segredo não está no cérebro?
Está, com certeza. Não está certamente na capacidade de saltar de ramo em ramo. De qualquer forma, a informação genética já interfere no campo das neurociências. Hoje em dia sabe-se perfeitamente qual é o gene que está envolvido na neurofibromatose, o "elephant man". O que serve para prevenção, para técnicas que limitem a perpetuação de um gene.

E quanto às diferenças entre o cérebro da mulher e do homem?
Essa é uma questão do ponto de vista biológico fascinante. Prende-se com o chamado dimorfismo sexual, as diferenças da forma, da morfologia, da dimensão, etc., entre o homem e a mulher, ou, num sentido mais lato, entre o macho e a fêmea. Uma das coisas mais complexas é que há muito poucos estudos cientificamente válidos que demonstrem que há diferenças importantes, do ponto de vista funcional, entre um homem e uma mulher. Estamos a falar de capacidades e aptidões. Provavelmente, das poucas aptidões que são diferentes é a habilidade matemática.

As mulheres são mais hábeis?
Matematicamente. É evidente que há receptores para as hormonas no cérebro que influenciam muito o desenvolvimento e se as hormonas sexuais estão lá, por alguma razão estão. Há nos roedores, nos ratos, claras diferenças nas estruturas, nomeadamente na zona do hipotálamo. Existe uma assinatura morfológica. Mas os estudos em humanos não são tão evidentes. Eu continuo a usar aquela expressão francesa: "Vive la différence!". Graças a Deus, o criador quis-nos diferentes... E a diferença é muito mais que física. Pode-se transformar uma mulher num homem ou um homem numa mulher, mas não se pode transformar a maneira de pensar.

Desde que regressou a Portugal que não se dedica à investigação. O que faria nessa área, se pudesse?
Sabe que, nos Estados Unidos, o meu trabalho de investigação foi sobre a regulação do cérebro da função reprodutora, no macaco. Fazia investigação sobre o hipotálamo, uma zona de comando do cérebro visceral. O trabalho tinha a ver com um fenómeno curioso, ainda hoje longe de estar bem investigado, que era a ciclicidade reprodutora, os ciclos menstruais. É uma das coisas fascinantes que falta perceber. O relógio biológico que nós temos, o ciclo do sono, da vigília, do alerta e do não-alerta, da resposta ao "stress"... Um dos relógios biológicos mais interessantes é o da ciclicidade reprodutora e o macaco "rhesus" era muito interessante, porque tinha a mesma ciclicidade e o mesmo padrão hormonal. Isto foi o que eu fiz durante para aí dez anos.

Mas, e agora?
Acho que o grande desafio são as chamadas células estaminais. Pensava-se que o sistema nervoso estava acabado, que as células já não se multiplicavam, que não havia potencialidades de renovação e diferenciação... e descobriu-se que não é verdade. Lá escondidas, em certas zonas, há células primitivas que se podem diferenciar de uma maneira ou de outra. A ideia das células nervosas terminais até poderem dar células sanguíneas, tal a potencialidade de diferenciação e de caminhos. Isso leva-nos à grande tragédia do sistema nervoso: recuperar a função depois de uma doença, de um traumatismo, por exemplo, no caso dos doentes paraplégicos. A restauração de função é dos grandes desafios da neurociência e a regeneração nervosa é um campo fascinante. Depois, obviamente, outra das coisas que continuam a ser uma tragédia é toda a parte oncológica. Nós continuamos com poucas armas para combater a doença maligna cerebral. Geralmente, quando é maligno, pouco há a fazer. É uma doença que mata e mata depressa. É um roer por dentro. E, de facto, nisso houve muito pouco progresso.

 

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publicado às 03:30

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaime_Fernandes

Crónica

Ainda ouço o Jaime

Jaime Fernandes tinha muitos amigos mas isso só me desconsola mais ainda: somos muitos a sofrer a dor tremenda de nunca mais podermos falar com ele, abraçá-lo, dizer-lhe o muito que lhe devemos, contar-lhe o amor que temos por ele e que agora estamos a pagar como gente grande.

O Jaime era um adulto. Era um adulto brincalhão que ensinava tudo o que sabia – sobre rádio, sobre música, sobre a maneira de ser dos seres humanos – sem que nós déssemos pela lição. Ele deixava-nos sermos nós. Não queria discípulos. Não deixava criar obrigações.

O Jaime era um luz da liberdade e da expressão radiofónica e musical. Fazer programas de rádio com ele era delicioso porque ele fazia tudo por amizade, mas sempre com o mais apurado profissionalismo.

O Jaime era radiante, risonho, civilizado. Tinha o dom – porque ultrapassava qualquer mera generosidade - de aceitar as pessoas como elas eram, cada uma com as suas pancadas. Não era um perfeccionista. Os perfeccionistas são uns chatos. O Jaime era um realizador, produtor, autor e locutor que facilmente atingia a perfeição mas vivia bem com as imperfeições dos outros, corrigindo-as com a polidez de execução, calma e culta, que fazia parte do estilo dele.

Fazia tudo por amizade e por amor. O Jaime tinha o coração tão grande que cabiam lá o amor imenso que tinha pela mulher Maria Dulce e pela filha Rita e os amores todos pela família, pelos amigos, pela música, pela rádio, pelo trabalho, pelos colegas, pela vida. Sofreu com Maria Dulce a pior das dores quando o filho Miguel morreu com 20 anos, de repente como agora morreu o Jaime. Sofreu mas nunca virou a cara à vida, às pessoas que ajudou, às coisas, nobres e inúmeras, pelas quais lutou.

O Jaime era um vencedor discreto e corajoso, uma grande alma, sensível e afectuosa, que se comovia facilmente. O sorriso, o riso e os olhos e a voz do Jaime enchem-me agora de saudades, à medida tristíssima que se vão transformando em memórias, lágrimas, meras palavras e na coisa que lhe era mais estranha: o silêncio.

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publicado às 04:56

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Lobo_Antunes#cite_note-3

Opinião

No meio da multidão que chora a morte de João Lobo Antunes

Dizem que fica mal aos médicos armarem-se em deuses. Pois sim. Digam isso às pessoas que ele salvou.

Sou só uma pessoa da grande multidão de pessoas cujas vidas foram salvas por João Lobo Antunes. Somos muitos a chorar. Choramos por egoísmo. Choramos de medo. Choramos de raiva. Choramos pela injustiça. Mas também choramos por ele, João. E também choramos pelas pessoas que o amam.

Faço parte da grande multidão de pessoas que o João Lobo Antunes salvou, directa e indirectamente. Tal como quase todas elas, não tive a sorte de ter sido amigo dele. Mal o conheci. Mas vi-o, vi-o sempre de atalaia, rodeado pelos colaboradores, todos eles salvadores de vidas. Um desses neurocirurgiões, Alexandre Raínha Campos, removeu um tumor canceroso do cérebro da Maria João, salvando-lhe a vida e devolvendo-me a pessoa amada.

Estava lá o João Lobo Antunes. Logo de manhãzinha e depois da operação, a presença dele acalmava, garantia que tudo o que se pudesse fazer iria ser feito.

O João era um herói. É preciso estofo para se ser herói. O João tinha. Não é preciso paciência nem generosidade nem sabedoria nem cultura nem criatividade para se ser herói. Mas o João era um herói que tinha isso tudo. É preciso coragem para se ser um herói. O João tinha. Não é preciso ter uma visão ambiciosa e exacta de onde se pretende chegar. Mas o João tinha e chegou lá. Construiu o impossível contra a mesquinhez das possibilidades e, uma vez construído, tratou a construção com a maior das naturalidades, como se sempre tivesse sido assim. Partilhou o que sabia com a mesma alegria com que tinha aprendido.

O João era um investigador, um esteta, um dandy e um senhor. Deve ter tido defeitos mas juro, para quem não o conheceu, é como se não tivesse tido. Admito, no caso de João Lobo Antunes, que o homem era um deus.

É assim que todos nós que fazemos parte da multidão de pessoas cujas vidas ele salvou o víamos: como um deus. Dizem que fica mal aos médicos armarem-se em deuses. Pois sim. Digam isso às pessoas que ele salvou e às pessoas – muitas mais ainda - que amam essas pessoas. Os médicos não podem ser deuses mas, no caso de João Lobo Antunes, exigimos que se abra uma excepção.

Era um deus que, ao contrário do verdadeiro, tinha sentido de humor. Sabia que era um herói mas preferia ser tratado como se não fosse. Era impossível elogiá-lo. Aproveito agora que ele está morto mas isso só me enche – só nos enche – de tristeza.

Seria tão bom e justo e útil e feliz e merecido que João Lobo Antunes estivesse vivo e saudável e bem disposto, a piscar aqueles olhos azuis, a viver a vida que sabia viver.

Numa crónica, comovida e comovente, que António Lobo Antunes escreveu para a Visão, dedicada ao Professor Luís Costa com o título O último abraço que me dás a primeira frase é esta: “O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis”.

Foi assim, também, no Serviço de Neurocirurgia do mesmo hospital, dirigida pelo irmão, João Lobo Antunes, quando a Maria João foi lá operada por Alexandre Raínha Campos. Foi o “lugar onde, até hoje” ela e eu “sentimos mais orgulho em sermos pessoas”.

Cito outra passagem da mesma crónica, por ser tão verdadeira para a multidão que não conhecia o Professor Lobo Antunes e que ele salvou ou ajudou a salvar: “A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no mal-estar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida”.

É o mesmo Luís Costa que vem salvando a vida da Maria João. Foi João Lobo Antunes que a levou para ele. É verdade que “não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida”.

Mas há certas pessoas que, tal como os deuses, não deveriam morrer senão quando assim entendessem. São raras. Mas João Lobo Antunes era, certamente, uma delas.

Peço desculpa à família do João e a todos os amigos que tinha o muito tempo e o muito João que vos roubámos, eu e o resto da multidão das pessoas que ele salvou.

As tristezas injustas são as que mais doem e mais custam a passar. A perda de João Lobo Antunes, neste maldito dia de Outubro, só agora começa a fazer-se sentir. Vai levar muito tempo a passar. Sofrer e sentirmo-nos indignos é o mínimo que podemos fazer.

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publicado às 04:38


HA GENTE QUE VALE A PENA

por sopa-de-letras, em 12.04.16

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Hoje partiu Francisco Nicholson.

A ultima vez que o vi estava internado no hospital, tinha acabado de fazer um transplante de figado, e isto aconteceu ha uns doze ou treze anos.

Eu e a Ritinha fomos visita-lo e levamos-lhe as fotos das ferias do Brasil, onde eramos vizinhos de bangalou.

Eu tinha uma ma opiniao acerca de vedetas.

Quando percebi que o Francisco e a Magda eram nossos vizinhos nao fiquei muito satisfeita. Mas isso foi so no primeiro dia. A partir do primeiro cumprimento tudo mudou.

Eles eram um casal perfeito, e junto deles ninguem estava triste e nem tao pouco serio.

Nada de vedetismos, uma simpatia e simplicidade extremas, muito boa disposicao, e milhares de historias para contarem.

Simpatizamos de imediato uns com os outros, e passamos a encontrar-nos para fazer juntos algumas refeicoes e passeios.

Foi formidavel.

Por muito que eu diga nao consigo descrever fielmente aqueles momentos.

Recordo-me duma noite em que estavamos a jantar no hotel e o Francisco estava a contar uma das suas historias (verdadeiras), e comecou a rir, mas o riso dele era contagiante, e foi-se espalhando pela mesa, e as tantas estavamos todos chorando de tanto rir e sem nem saber bem porque.

Onde quer que estejas Francisco, que a tua alegria continue a ser contagiante. Gente como tu, nao morre.

Um beijinho para ti e outro para a tua Magda, acrescido de um forte abraco. ( Neste momento ela precisa mais do que tu)

PS: Nesse verao estavamos todos atordoados com o que estava acontecer ao Carlos Cruz por causa do escandalo Casa Pia.

Sempre que podiamos andavamos a tentar ver noticias de Portugal.

 

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publicado às 21:24


ESTÃO PARTINDO OS INESQUECIVEIS

por sopa-de-letras, em 12.04.16

http://www.jn.pt/cultura/interior/morreu-o-ator-francisco-nicholson-5122080.html

 

Cultura

Morreu o ator Francisco Nicholson

O funeral de Francisco Nicholson realiza-se na quinta-feira, às 10.30 horas, e o corpo seguirá para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado.

Francisco Nicholson morreu no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, na sequência de complicações decorrentes de um transplante hepático a que foi submetido há uns anos, indicou a assessora de imprensa da Casa do Artista.

Francisco Nicholson começou a fazer teatro aos 14 anos, no antigo Liceu Camões, sob direção do encenador e poeta António Manuel Couto Viana, a convite do qual veio a pertencer ao Grupo da Mocidade, que integrou com, entre outros, Rui Mendes, Morais e Castro, Catarina Avelar e Mário Pereira.

 

Estudou em Paris, frequentando a Academia Charles Dullin, do Théatre Nacional Populaire, privando com grandes nomes do teatro francês, como Jean Vilar, Georges Wilson, Gerard Philipe.

No currículo, tem a autoria das novelas "Vila Faia", "Cinzas", "Origens", "Os Lobos" e "Ajuste de Contas", tendo também assinado várias revistas no teatro.

Em 2014, surpreendeu com o primeiro romance "Os mortos não dão autógrafos", que dedicou à mulher, a atriz e bailarina Magda Cardoso.

* com Lusa

 

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publicado às 21:18


MARILIA PERA

por sopa-de-letras, em 05.12.15

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADlia_P%C3%AAra

 

 

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publicado às 18:42


O CICLO DA VIDA INTERROMPIDO

por sopa-de-letras, em 12.03.14

fotos emocionantes 19 As 43 fotos mais emocionantes já tiradas

 

 Helen Fisher beija o carro fúnebre que transporta o corpo do seu primo de 20 anos, Douglas Halliday, quando ele e outros seis soldados mortos são levados para a cidade de Wootton Bassett, na Inglaterra.

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publicado às 20:55


AS POLEMICAS OPINIOES DE MARIO SOARES

por sopa-de-letras, em 12.01.14

Maria Letras partilhou uma ligação através de José Cid.
Continuando a largar postas de pescada....nao se enxerga. Talvez a cultura transforme algumas pessoas em ladroes Talvez haja pessoas que apesar da pouca cultura, sabem mostrar ao mundo o valor dum HOMEM. Mesmo "sem cultura" honrou mais Portugal do que muitos que nao sabem que fazer com ela. Irra que ate irrita !!!!!!!
Vídeo: Mário Soares fala num Eusébio “sem cultura” e com vício do álcool
www.ptjornal.com
Antigo Presidente da República fez comentários críticos sobre Eusébio da Silva Ferreira, enquanto homem. Na opinião de Mário Soares, o Rei era uma pessoa sem grande cultura e que bebia álcool logo pela manhã.

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publicado às 07:43


EUSEBIO e NELSON NED

por sopa-de-letras, em 12.01.14

 

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publicado às 07:37

mytaste.pt


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