A manipulação das culturas na agricultura não é propriamente moderna: começou há 10 mil anos. E uma boa forma de ver como alguns alimentos se modificaram ao longo dos anos é olhar para a arte. Neste caso, o site Vox.com sugere aos seus leitores olhar especificamente para um quadro do século XVII do pintor Giovanni Stanchi, com uma representação de uma melancia.

O fruto, atualmente tão apreciado, tinha um aspeto pálido, era cheio de sementes e, na realidade, com pouco que comer. Um grande diferença em relação às melancias vermelhas e com poucas ou nenhumas sementes de hoje em dia.  

Então, como é que a melancia passou desta fruta esquisita para a atual versão vermelha e sumarenta? 

James Nienhuis, professor na Universidade de Wisconsin, EUA, que usa a pintura de Stanchi para ensinar a história das modificações introduzidas para melhoramento das culturas, explica ao mesmo site que ao escolher para cultivar as melancias com menos sementes e polpa mais vermelha, o Homem acabou por alterar a genética da melancia.

Este processo de produção seletiva já foi usado em vários tipos de fruta. No período renascentista, muitas das nossas frutas já tinham uma aparência muito semelhante à dos dias de hoje. Mas se recuarmos ainda mais no tempo, há 7 mil anos, o pêssego, por exemplo, tinha um aspeto ainda mais esquisito: do tamanho de uma cereja e pouco sumarento.